As Pessoas ainda contam – Jorge Fagundes

O artigo seguinte, da autoria do Dr. Jorge Fagundes, foi publicado no jornal Rostos onde o mesmo é colunista.

O Dr. Jorge Fagundes é um dos subscritores do Manifesto e aderiu à Plataforma Cívica.

Com a devida autorização do mesmo passamos a divulgar o referido artigo.

 

As pessoas ainda contam
Por Jorge Fagundes
Barreiro

As pessoas ainda contam<br /> Por Jorge Fagundes<br /> BarreiroQuando, e talvez seja esse o caso, os interesses económicos se colocam acima de tudo e de todos, e as pessoas, ainda que nos seus braços não sejam tatuadas inscrições numéricas, não passem de meros números, deve ter-se em atenção que a decisão final deste problema não pode estar entregue a surdos, cegos e mudos.

A utilização da Base Aérea nº. 6, no Montijo, para efeitos de expansão da capacidade do aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, tem sido objecto de muita controvérsia sendo que, maioritariamente, as opiniões já conhecidas são contra tal empreendimento.
Razões diversas, nomeadamente de naturezas técnica, financeira e de perigosidade, têm sido avançadas por quem desses assuntos comprovadamente percebe.

Como é aparentemente sabido, a Base Aérea nº. 6 , no Montijo, localiza-se em zonas do Estuário do Tejo teoricamente (?) protegidas, quer por constituírem uma das maiores zonas húmidas da Europa e onde nidificam e se alimentam milhares de aves, residentes ou migratórias.
A ser instalada na actual Base Aérea nº. 6 um aeroporto com as características pretendidas será severamente afectado o viver desse enorme conjunto de aves.

Que, como jocosamente alguém de pouco siso terá afirmado, não poderão ser abatidas a tiros de espingarda nem impedidas de atravessar as fronteiras de Portugal quando para o Estuário do Tejo anualmente se dirigem.
Por outro lado, e mesmo que por absurdo se entenda que nestas zonas não existem aves, o certo é que nelas habita mais de uma centena de milhar de pessoas.

A quem curiosamente (embora que, quando lhes convém, cantem alto e bom som que o povo é quem mais ordena)ninguém perguntou se querem passar a viver, a constituir família e a educar os seus descendentes com um aeroporto quase do outro lado da rua e com aviões a passarem constante e ruidosamente por cima das suas cabeças.

Quando, e talvez seja esse o caso, os interesses económicos se colocam acima de tudo e de todos, e as pessoas, ainda que nos seus braços não sejam tatuadas inscrições numéricas, não passem de meros números, deve ter-se em atenção que a decisão final deste problema não pode estar entregue a surdos, cegos e mudos.
Porque, passarinhos e passarões à parte…as pessoas contam!

Jorge Fagundes

Siga a Plataforma em:

Faça o primeiro comentário a "As Pessoas ainda contam – Jorge Fagundes"

Comentar

O seu endereço de email não será publicado.


*


WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com